MÃE-GALINHA



2006-12-18

Meiinho

Olhando para os posts imediatamente abaixo, dou-me conta que hoje é dia delas, que assim, sem querer, me foram saíndo coisas delas, uma de cada, um post para cada uma. Quando virão elas apanhá-los?
(sabem que sim, que estão aqui os escritos, mas que não tem desenhos da Margarida por isso não tem piada)

Na sexta-feira passada, no tal dia em que não fui trabalhar mas em que me fartei de trabalhar, vesti-me de ajudante de pai-natal e distribuí trezentos e vinte e dois ovos de chocolate na escola. Ainda vestida de mim, esperei com as renas e com o pai-natal no recreio da escola.
No meio de uma barulheira infernal de onde sobressaía a voz da Maria em ordens de dedo em riste, dei com a Inês sentada, de olhos fechados.
- Olá! O que é que estás aí a fzer?
- Estou a apanhar sol.
Depois, passado um bocado, brincava com outra miúda.
- Quem esta é tua amiga?
- Não sei. É minha amiga mas não sei como é que se chama.
- Olá menina! És de que turma?
- Não sei - respondeu a menina. Sou amiga dela.

Fico contente por saber que a nave não trouxe só uma e que até deixou duas na mesma escola. Talvez juntas tenham mais força e consigam converter uns quantos. A mim não, que eu tenho bicho-carpinteiro e não falo com desconhecidos. Ela, a Inês, bem tenta mudar-me mas eu sou muito teimosa e tenho um pelotão de defensoras:
- Ai mãe... Essa roupa fica-te horrível.
ou
- Estás um bocadito gorda.
ou
- O que é essa coisa que tens na cabeça?
ou
- Vais sair assim vestida?

Eu não estou gorda. Aliás, eu sou magra mas tenho celulite e rabo e banhocas na barriga que me saem pelas calças de cintura descida quando me sento.
Eu, na cabeça, tinha um lençço a fazer de fita porque as minhas fitas desapareceram. Agora sei que não desapareceram misteriosamente porque depois daquela observação, deduzi que estariam onde estavam, escondidas na gaveta dela. Eu cozinho muito e quando cozinho ponho uma fita no cabelo. As fitas desapareceram todas e eu, sem remédio, apanhei duma caixa um lenço tigrado.
Contou-me depois que gosta mais do meu cabelo como ele é e que com fitas na cabeça pareço uma maluca. Antes parecer do que ser.

Mas é uma maluca do mais doce que há.
(zen - noutro dia, eu no meu quarto, ouço um um "mmmmmmm" contínuo, num som grave e quase inaudível. Encontro o som: ela, olhos fechados, pernas à chinês, em cima da cama. Os braços sobre as pernas, mão viradas para cima, polegar com indicador. E continuava:
- Mmmmmmmmmmmmmmm...
Não resisti a tirá-la do transe, tive que medo que começasse a levitar.
- Que é que estás a fazer?
- Yoga, porquê?)
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